Adversários políticos do governador João Doria (PSDB) enxergaram na cratera aberta na marginal Tietê nesta terça-feira, 1º, uma oportunidade para gerar desgaste à gestão estadual. Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros presidenciáveis exploraram o incidente para desqualificar a imagem do tucano paulista como postulante ao Planalto. Nas redes sociais, políticos de extrema direita à esquerda radical convergiram em torno do termo “selo PSDB de qualidade” e pediram investigação sobre o ocorrido.

O tom eleitoral das críticas visa não apenas Doria, mas também a pré-candidatura do atual vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que deve assumir o Executivo em abril e disputar a reeleição. Os tucanos estão à frente da gestão paulista desde 1995, com a eleição de Mário Covas (1930-2001).

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) reproduziu o vídeo do desmoronamento na obra da Linha-6 Laranja do Metrô, dando destaque à cratera em suas redes sociais. Mesmo sem mencionar diretamente o nome de Doria, a publicação foi recebida como um aceno ao governador e inundada de comentários críticos ao gestor paulista.

No Twitter, bolsonaristas tentaram emplacar a hashtag "#ChamaOTarcisio", fazendo referência ao candidato de Bolsonaro ao governo do Estado, Tarcísio de Freitas. Atual ministro da Infraestrutura, ele esteve com o presidente em São Paulo na terça-feira para acompanhar os desdobramentos das chuvas no Estado, que causaram deslizamentos e mortes no último fim de semana.

O secretário da Cultura do governo federal, Mario Frias, sugeriu que, “ao contrário de Bolsonaro”, Doria está mais preocupado em obter palanques eleitorais do que com a população. O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) também se manifestaram sobre o tema e lançaram críticas ao governador.

Também bolsonarista, o deputado estadual Gil Diniz anunciou que vai colher assinaturas para protocolar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a culpabilidade de Doria no desabamento. Diniz defendeu que o governador deve ser responsabilizado e, indiretamente, também visou atingir a pré-campanha de Garcia: “Precisamos extinguir o PSDB do Estado de São Paulo”, publicou.